sábado, 21 de abril de 2012

CHÁ COM POESIA CAIC Idalina de Carvalho

0

CHÁ COM POESIA no CAIC

1
Tive a honra de ser homenageada na noite do último dia 13 de abril, no sarau de poesia organizado pela Escola Municipal Lysis Brandão da Rocha (CAIC) em Cataguases. Foi desenvolvido um projeto durante um mês acerca da minha vida e obra, havendo sido escolhido o meu último livro MEANDROS como fonte para o recital de poesia.

Quero agradecer e parabenizar a equipe da escola que, aliás, tem estado sempre à frente no que se refere à implantação de projetos que, além de elevar a autoestima dos alunos, motivam-nos às atividades artísticas, ampliando sua visão de mundo.

O evento teve a seguinte programação:
19:30 - Abertura com a palavra da diretora Cristiane Antoniol Siqueira.
19:40 - Leitura da biografia da biografia e recital com os poemas: A beleza de Carol, Natureza, Cantiga, Jardim de Maria e Maria - de Idalina de Carvalho.
19:55 - Leitura dos poemas das alunas Maria Eugênia e Maria Aparecida de Oliveira, tendo como tema: O que me faz feliz;
20:00 - Leitura de poesia da professora Cecília Valverde, pela aluna Maria Eugênia ( um poema lindo que Cecília, minha ex-aluna do Grupo de Estudos Literários Afonso Romano de Sant'Anna fez em minha homenagem, e que transcrevo logo depois de reproduzir esta programação).
20:10 - Apresentação das alunas Sonia, Tainara, Larissa e Ana Paula.
20:15 - Com a palavra, a escritora.
20:45 - Encerramento com o aluno Juliano Marazo.
21:00 - Coquetel.







MENINA IDALINA
Cecília Valverde

Quem é essa menina?
É aquela que faz rima
Pedra cristalina
Passa e ilumina
Brilha feito purpurina

Também é bailarina
Pé no chão, cintura fina
Salto alto lá em cima
Tem frescor de tangerina
É um verso que fascina
Ó menina Idalina!

APRESENTO ABAIXO A FICHA TÉCNICA DO EVENTO:
CHÁ COM POESIA

Organização: Escola Municipal Lysis Brandão da Rocha (CAIC)
Diretora: Cristiane Siqueira Antoniol

Equipe de professores:
Ana, Ângela, Edison, Jozilene Ferreira, Maria de Fátima de Paula, Maria Cecília Mattos, Mônica Reis, Paula Abrita, Walcilene, Sandra e Silvana Ipólito

Alunos envolvidos no projeto:

Declamaram poemas:
Maria Eugênia, Sônia, Tainara, Larissa, Ana Paula, Juliano Marazo.

Outras atividades:
Márcia Rosana, Márcia Medeiros, Marilene, Ana Carolina, Sara Cristina, Navantino, Myriane, Maria Eugênia, Sandra da Silva, Luiz, Ângela, Elizete, Sonia Mariano, Iago, Maria Aparecida de Oliveira, Márcia Medeiros, Jean Francisco, Adriano, Márcia Rosana, Tiago Silva, Jean Silva, Wesley Matias, Kleusa Cris, Edimara, Maria Adriana Moreira, Juliana do Carmo, João Luiz, Diego, Maria Eugenia, Sandra da Silva, Maria Aparecida Magalhães, Tatiana.

PROGRAMAÇÃO
1. Abertura: Palavra de boas vindas da diretora
2. Leitura da biografia e recital dos poemas de Idalina
de Carvalho
3. Leitura da poesia "O que me faz feliz", pelas suas
autoras Maria Aparecida e Maria Eugênia.
4. Apresentação das alunas Sônia, Tainara, Larissa e
Ana Paula.
5. Entrega de um presente (o trabalho artesanal feito
em cordel) pela professora Sandra.
6. Com a palavra a escritora.
7. Encerramento com o aluno Juliano Marazo.

POEMAS APRESENTADOS (de Idalina de Carvalho)
Marina
Natureza
Jardim de Maria
Cantiga
Beleza de Carol

sexta-feira, 6 de abril de 2012

MINICONTOS DE MEANDROS

0

DO QUASE PECADO

(poesia de anjos)

segurasse suas mãos, levasse-a quase pluma por um poema na quase madrugada do setembro recém-nascido em sublime adultério de anjos... A sedução da alma! São demais os perigos desta vida... mas anjos não pecam, são puros. Até mesmo quando, distraídos, entornam desejo (a alma tem anseios). Distraída, seria natural deixar-se levar pelas mãos. Um abraço mais envolvente, as mãos... poesia por toda parte. (A poesia sai pela boca, está dentro da boca contida, a espera do milagre que a transforme). Se, liberta de receios, abrisse em beijo a boca do poeta, consumado seria o pecado e a boca cuspiria no papel a poesia. O desejo é o poema em estado de semente.

CONTO DE FADAS EM BRANCO E PRETO

Deus não tem tempo para meninas boazinhas. A cada uma cabe o mal que lhe é devido, como o bem. A vida real: nua e crua. Sonhara seres divinos pelo caminho. Pensara-me capaz de abolir do mundo o mal. Sete bestas desenharam meu conto de fadas, vestiram-se personagens a me acalentar o sono. Sorri.

Lá fora, tempestade escoava da alma aprisionada em leito. Cinzenta. Gelada. Natureza em prantos. Assim foi que tudo desabou. Deus não teve tempo para mim. Amadureci.

AO NATURAL

Recaiu sobre si a culpa da humanidade na tarde quente daquela viagem. Sol incendiando o verde das pastagens, morros e montanhas que passavam rapidamente pela janela, deixando pra trás uma brisa assanhada em carícias, provocando volúpia, impregnando todo o ônibus com o sêmen da natureza exalado em suor, descendo por todo o corpo como rio de água salgada, uma sede sem fim de tudo que pudesse refrescar o corpo e a alma.

Passiva, rendeu-se ao cansaço, despiu-se de conceitos, cerrou os olhos e...

FINAL FELIZ (?)

Naquela noite cobriu-a de mimos. Foram palavras, sonhos em pinturas vazadas até sons denunciarem novo dia. Braços a puxá-la noite adentro e sussurros te amo, te amo, juras de nunca usar extremos da cama, ladainhas de protetor, querer vê-la feliz, de não merecer tal vida de sacrifícios. E beijos tantos, tantos, até lábios amolecerem de tanto vadiar. Um sentir a vida de dentro, intenso, amor de verdade daqueles de filmes de cinema.

Depois casaram-se.


MÃE DE FAMÍLIA

Os gritos que não que agora não e o fogo esquentando a barriga encostada no fogão e a insistência dele e a comida no fogo, hora de almoço, levar as crianças para a escola e a cozinha desarrumada, pia cheia de vasilhas e não, não e não, agora não, e ele invadindo seu espaço, umedecendo sua nuca e ouvidos ofegante em sussurros, e ela perdendo as forças, pernas estremecidas e as mãos dele afrouxando sua saia e ela sem voz em sussurros não por favor, não, o almoço, panela fritando arroz, bife na outra trempa, feijão inteiro fervendo o fogo invadindo toda a cozinha, e a mesa ali, posta, e as crianças na casa da avó tomando banho, e a comida...

... o cheiro da comida queimada, abolida de condição de ser almoço.

sábado, 27 de agosto de 2011

BEIJAR, FICAR E OUTROS VERBOS ADOLESCENTES (Idalina de Carvalho)

0




"Beijar, ficar e outros verbos adolescentes" é o meu primeiro livro direcionado ao público adolescente. Na verdade é uma colcha de retalhos, e Aninha - personagem principal, bem como outros personagens da história, são recortes da vivência com alunos, pedaços da adolescente que eu fui e da menina que ainda vive em mim e, principalmente, fragmentos da vida cotidiana em família - meus filhos são minha fonte maior de inspiração.

Ainda não publicado na forma impressa, 0 livro fala da adolescência de Aninha, uma garota inteligente e muito bem relacionada. O fato de ser gordinha, no entanto, abala sua autoconfiança - o drama da história gira em torno de sua dificuldade em conseguir um namorado.
Confira a introdução do livro que você poderá ler na íntegra, gratuitamente, clicando no nome do livro - título desta postagem.

APRESENTAÇÃO

Se você está um pouco distante do peso ideal, se não tem jeans das melhores grifes, se vive tendo que se virar, vestindo o que tem para o gasto... toca aqui, amiga!

Se - pra completar - tem uma amiga esnobe, daquele tipo “táxi” (táxiacha), posso dizer que sei como se sente.

Os meninos vivem pedindo pra você dar uma força, pra eles chegarem nas suas melhores amigas? Você vive “chupando dedo” enquanto todo mundo tá ficando e beijando até? Você se sente a Madre Teresa de Calcutá, sempre fazendo caridade e se ferrando?...

Olha, vou dizer: somos idênticas!

Mas eu acredito na vida e venho me esforçando pra acreditar mais em mim. E olha que tem dado certo. Escrevi este livro pra contar – mesmo sabendo que se eu contar ninguém acredita – o que tem sido a minha vida desde que a adolescência chegou e resolvi me apaixonar. Até o final da história (se você tiver paciência pra me agüentar), teremos nos tornado amigas de infância.

Bjs. Aninnha.

CONFIRA O ORIGINAL DO LIVRO, DISPONIBILIZADO GRATUITAMENTE NO SITE INDICADO (basta clicar no nome do livro - título desta postagem).

Deixe seu comentário, que poderá ser aproveitado na publicação impressa.

*Nas fotos acima, à esquerda, Idalina de Carvalho; no centro, a capa provisória do livro, com conteúdo ainda sem diagramação final; e à direita, a autora com os filhos - a família, fonte inspiradora do livro.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

PENSAMINTO - Revista de Literatura e Arte (edição 14)

0
Publicado no mês de maio de 2000, o número 14 da segunda fase de Pensaminto anunciava, na sua segunda página, a "I Feira do Livro de Cataguases", nos dias 18, 19 e 20 do mesmo mês. Com capa do artista plástico cataguasense Altamir Soares, a edição homenageou o poeta Cláudio Feldman e abriu espaço para a poesia do ABC paulista. Também foi nesta edição que o professor e poeta cataguasense Joaquim Branco inaugurou sua página "Poesia Visual", com três poemas: Terra à vista (dele próprio), Nós (de Hugo Pontes) e Bankers in Banquet (de Ricardo Alfaya). Para finalizar a edição, um artigo do saudoso professor e escritor José Maria de Souza Dantas (RJ), intitulado O Ensino de Literatura e/ou o enriquecimento do humano do homem, e um outro do poeta de Piracicaba, Irineu Volpato, intitulado Literatura no ABC - um esboço.


Confiram maiores detalhes.

ALTAMIR SOARES


















Natural de Cataguases, licenciado em Educação Artística pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, em 1986, Altamis mostra em suas telas uma mistura de cores secas em traços que marcam definitivamente seu estilo. Segundo suas palavras, ele procura refletir em sua obra o cotidiano, o abandono, a solidão, o desprezo e a busca de algo real e irreal.

Com traços marcantes e ao mesmo tempo suaves, Altamir não se prende a convenções, retratando em sua obra, tanto o moderno como o expressionismo, dependendo da escolha do momento que melhor retrata seu "eu".

UM POETA NO CAMINHO
Cláudio Feldman
























"Caminhei entre ciranda de mitos e caixões eldorado, em noite de esquivo silêncio. Do beco dos fantasmas ao cais do caos, o navio na garrafa fazia lembrar tempo de deserto. Plantei uma gaveta de sementes nos olhos da estrada e dali nasceram 27 poemas. Dr. Panambi redigiu um dossiê. Batizei-o urtiga. Depois de tanta aventura, mergulhei neste dia suspeito, de poesia enxuta, síntese, denunciando dobras da existência, o outro lado de tudo o que cerca o real, em imagens de pequeno bestiário, cidades e folhas" (Cláudio Feldman).

Cláudio Feldman reúne a irreverência do moderno com o bom gosto de quem sabe realmente da arte a que se propõe. Cláudio tem inúmeros livros publicados na área de ficção, humor e literatura infantil, por editoras como a Loyola, FTD, Editora Lê, Moderna, entre outras.

O poeta nasceu em Bauru (SP), em 1944. É filho do cineasta fotógrafo e videomaker Aron Feldman. Os poemas abaixo fazem parte do livro "Dia Suspeito".

SERPENTE
a serpente
enrosca-se
para dormir

já é o pesadelo
............................

PORCO-ESPINHO
da cratera morta
sai
um porco-espinho

cactomóvel
que afasta
perfume e garras

apalpado
apenas
no dicionário
...........................

MADRUGADA
a chuva não apaga anúncios luminosos
mas jornais escorrem palavras
as imagens de bêbadas bocas pintadas
e policiais algemando fantasmas
são levadas para o esgoto
sujeito oculto na capa
costeio edifícios de solidão e frio
o vento das galerias
murmura meu nome
ao contrário
..................................

VISUAIS
Joaquim Branco














Nesta edição de Pensaminto, Joaquim Branco publicou o VISUAIS nº 1, com poemas visuais de Hugo Pontes (Nós), Ricardo Alfaya (Bankers in banquet) e dele próprio (Terra à vista).







segunda-feira, 11 de outubro de 2010

PENSAMINTO - Revista de Literatura e Arte (edição 13)

2

Publicada em abril de 2000, a 13ª edição de "Pensaminto", em sua segunda fase, trouxe na capa arte de Bonin e,no miolo, um apanhado sobre a poesia em Juiz de Fora, dando enfoque especial para a poesia de Iacyr Anderson Freitas e artigo de Jorge Sanglard sobre os movimentos literários naquela cidade, com poemas de Fernando Fiorese, Júlio Polidoro, Marta Gonçalves,Eustáquio Gorgone, Gilvan P. Ribeiro, Knorr e Edimilson de Almeira Pereira. Confira flashes da revista.

SÉRIE ARTISTAS PLÁSTICOS DE CATAGUASES

BONIN

Com estilo voltado para o expressionismo abstrato, Bonin apresenta em sua obra, como característica marcante, a expressão da essência histórica contemporânea. Assim, cada traço seu traz, ainda que nas nuances mais subjetivas, pedaço de um tempo, de um fato,imagem que tenha marcado ou que venha a marcar a história.
Nascido na cidade de Leopoldina em 24 de maio de 1963, Bonin reside em Cataguases desde 1978. Pinta desde 1983, tendo realizado várias exposições individuais e mais de 20 coletivas em Cataguases, Brasília, Belo Horizonte e Juiz de Fora, entre outras cidades.
Trabalha dentro das técnicas: óleo sobre tela, guache e nanquim.


UM POETA NO CAMINHO
IACYR ANDERSON FREITAS
A poesia de Iacyr é marcada por metáforas densas, por um sentido mergulhado na complexidade da vida e da morte. Não é a melodia ou mesmo a beleza de imagens que marca o estilo deste poeta, mas os labirintos que forçam o leitor a investigar, desvendar signos, descobrir o poema com sua riqueza semântica e sofisticação literária.
Iacyr nasceu em Patrocínio do Muriaé, em 1963. É engenheiro civil por formação, também mestre em Teoria da Literatura. Entre os seus inúmeros livros publicados, Pensaminto destaca dois poemas dos livros "Lázaro" (d'lira, 1995) e "mirante" (d'lira, 1999).

SENTIDO
decerto um ritmo,
algo impeciso
em suas conchas,
saberá lembrar
o que se escreve agora,
à cilha
que o calor segreda,
mas em rusga,
sem outros liames
que o delito dessas flores,
ó pobres, ó desguarnecidas,
como o sol
de um telheiro carcomido
sob a pele.

um ritmo: decerto
muito pouco
ante o vestígio
do que aqui se espera.

eis que a hora fecha-se
nos mangues.
o sentido dorme,
a paixão procura
a morte, outra quimera.

POSFÁCIO
Abre-se um novo embate. Abre-se a musa.
Eis que o metro força o antigo engenho.
Devo encaixar o mundo numa blusa
e, pródigo, doar que eu não tenho.
Devo encontrar outrora esse soneto.
Também medir com régua cada estrofe.
Não é fácil o risco em que me meto:
há que cuidar com fé, pra que não mofe
cada palavra. Cada ponto e acento,
cada elisão contida na fuzarca
do verbo e dor e lu em que me aguento.
Não busques aqui Camões ou Petrarca.
Não eleves tamanho experimento,
pois nem essa ilusão meu verso embarca.

POETAS DE JUIZ DE FORA

A MORTE
(Júlio Polidoro)
A morte e seu cortejo

Galopa sobre mim
eu passo.

Num jardim qualquer,
o Homem
quer-se afastado deste cálice.

Que posso dizer
Que não me movo de seu movimento?

Ao seu galope
respondo, chão cicatrizado.
..........
DANAÇÃO
Fernando Fiorese

Bom mesmo
era morar num lugar
de nome bonito
- Nossa Senhora dos Remédios,
São Tomé das Letras,
Dores do Turvo -
cultivar violetas e samambaias
e fazer do itinerário dos peixes
minha música
e não
ficar polindo os ossos do mito.
..........
SEZÃO
Gilvan P. Ribeiro

No sol de capricórnio
a carne nunca é triste.
Em cada encontro
o risco sempre existe
de momentos assim
pejados de tristura.
Mas passada a pancada
a emoção futura
carrega a dor embora
e do que é triste
faz outra vez motivo
pra estar em riste.
..........
ORELHA FURADA
Edimilson de Almeida Pereira

Dançar o nome com o braço na palavra: como
em sua casa um maconde

Dançar o nome pai dos deuses que pode tudo
neste mundo e suportar o lagarto querendo ser
bispo na sombra.

Dançar o nome na miséria, estrepe e tripa que a
folha do livro é. E se entender dono das letras
em sua cozinha.

Dançar o nome com a mulher nhora dele: a
mulher no seu coração tempestade e ciranda.

Dançar o nome com o braço na palavra berço.
..........
DOAÇÃO
Marta Gonçalves

Cortaram meus ossos ao iniciar o sol
e galos vermelhos sugaram o pó.

Fiquei oca como moringa de barro.

Não havia água.
Só o choro seco do tempo perdido.
..........
POEMAS/20
Eustáquio Gorgone

Nas quatro portas da cidade
teu olhar me cerca e fixa
na íris, minha íris, tua ira.
Sinto os arcos emparelhados,
primavera e inverno retidos,
o céu estrangeiro e branco.
Não posso antecipar as horas,
reter os vestígios do outono,
o canto das pedras e pássaros.

Irrigado por rios secos,
volto ao plantio do pó.


"Pensaminto",revista de Literatura e Arte, foi editada, de 1995 a 2000 por Idalina de Carvalho, em Cataguases (MG), e distribuída no Brasil e exterior.

sábado, 9 de outubro de 2010

PENSAMINTO 12 - segunda fase

1


Publicado em março de 2000, a edição número 12 trouxe na capa a artista plástica Nanzita, em desenho feito exclusivamente para PENSAMINTO. Nanzita, nascida em Cataguases, começou a pintar em 1940, estudando com os mestres Ian Zack, Abelardo Zaluar e Frank Schaeffer. Idealizadora e criadora da "Gal Art" (Centro de Arte e Cultura de Cataguases), Nanzita expôs individualmente e em coletivas por todo o país e em várias cidades do Japão.

O que marca, sobretudo, o seu nome na história de Cataguases são os murais pintados por ela nas igrejas da cidade. Baseada no livro "Paixão de Cristosegundo o Cirurgião", de Pierre Barbet, Nanzita retratou a agonia de Cristo sob uma ótica vanguardista, marcadamente pelas cores que levam o público a meditar sobre a própria vida: Nas paredes do Santuário Santa Rita de Cássia, a artista deixou registrado seu estilo em "Via Sacra". Pintou ainda, sob o tema "São Francisco de Assis", mural na Capela da Fazenda do Rochedo, no distrito do Glória de Cataguases. E, na Igreja do Rosario, o mural pintado por Nanzita próximo à pia batismal, retrata os apóstolos numa interpretação bíblica original sobre a "Ressurreição de Cristo o batismo".


UM POETA NO CAMINHO
JOANYR DE OLIVEIRA

DOno de uma poesia de formação clássica, densa, sutil, de linguagem limpa é precisa. Joanyr é um poeta que domina perfeitamente a essência lírica, retratando, a um mesmo tempo, simplicidade, bom gosto extremo e beleza. Quem lê seus poemas, mergulha no mais profundo da alma humana. E sai leve, banhado pela beleza de "cascos que cavam-me os olhos", "casulos de silêncio que recolhem meu rosto", envolvido pelo "ninho: mão sem fadigas a colher a vida". Como disse Marcos Konder Reis: "Sua poesia dá a sensação (rara) e coisa acabada, onde se disse (bem) tudo">

Mineiro de Aimorés, Joanyr passou a residir em Brasília em 1960. Autor de mais de uma dúzia de livro de poesia e participante de coletâneas publicadas no Brasil e exterior, ganhou mais de trinta prêmios literários. Abaixo, dois poemas do seu livro "Pluricanto - trinta anos de poesia".

NO METRÔ DE PARIS
(A Íris Miglio)

A anular o silêncio,
no metrô em Paris,
dez dedos de ouro
destilaram canções.
Sobre as rodas monótonas,
idiomas revezaram-se
na celebração do amor.

Subitamente as cordas
acolitaram estrofe
ledas verde-amarelas
nos lábios suspensos:
eram Tom e Vinícius
como taças no ar...

Um sorriso se impôs
a abarcar todo o Rio
no outro lado do mar.
........................

EPITÁFIO

Os casulos do silêncio
recolhem meu rosto,
meu canto e meu nome.

Entre arcanjos e estrelas,
minha essência navega
o esplendor dos milênios.

Doce é o saber do infinito.

IDALINA DE CARVALHO

CHÁ COM POESIA CAIC Idalina de Carvalho

| 0 comentários |

LEER MÁS...

CHÁ COM POESIA no CAIC

| 1 comentários |

Tive a honra de ser homenageada na noite do último dia 13 de abril, no sarau de poesia organizado pela Escola Municipal Lysis Brandão da Rocha (CAIC) em Cataguases. Foi desenvolvido um projeto durante um mês acerca da minha vida e obra, havendo sido escolhido o meu último livro MEANDROS como fonte para o recital de poesia.


Quero agradecer e parabenizar a equipe da escola que, aliás, tem estado sempre à frente no que se refere à implantação de projetos que, além de elevar a autoestima dos alunos, motivam-nos às atividades artísticas, ampliando sua visão de mundo.

O evento teve a seguinte programação:
19:30 - Abertura com a palavra da diretora Cristiane Antoniol Siqueira.
19:40 - Leitura da biografia da biografia e recital com os poemas: A beleza de Carol, Natureza, Cantiga, Jardim de Maria e Maria - de Idalina de Carvalho.
19:55 - Leitura dos poemas das alunas Maria Eugênia e Maria Aparecida de Oliveira, tendo como tema: O que me faz feliz;
20:00 - Leitura de poesia da professora Cecília Valverde, pela aluna Maria Eugênia ( um poema lindo que Cecília, minha ex-aluna do Grupo de Estudos Literários Afonso Romano de Sant'Anna fez em minha homenagem, e que transcrevo logo depois de reproduzir esta programação).
20:10 - Apresentação das alunas Sonia, Tainara, Larissa e Ana Paula.
20:15 - Com a palavra, a escritora.
20:45 - Encerramento com o aluno Juliano Marazo.
21:00 - Coquetel.







MENINA IDALINA
Cecília Valverde

Quem é essa menina?
É aquela que faz rima
Pedra cristalina
Passa e ilumina
Brilha feito purpurina

Também é bailarina
Pé no chão, cintura fina
Salto alto lá em cima
Tem frescor de tangerina
É um verso que fascina
Ó menina Idalina!

APRESENTO ABAIXO A FICHA TÉCNICA DO EVENTO:
CHÁ COM POESIA

Organização: Escola Municipal Lysis Brandão da Rocha (CAIC)
Diretora: Cristiane Siqueira Antoniol

Equipe de professores:
Ana, Ângela, Edison, Jozilene Ferreira, Maria de Fátima de Paula, Maria Cecília Mattos, Mônica Reis, Paula Abrita, Walcilene, Sandra e Silvana Ipólito

Alunos envolvidos no projeto:

Declamaram poemas:
Maria Eugênia, Sônia, Tainara, Larissa, Ana Paula, Juliano Marazo.

Outras atividades:
Márcia Rosana, Márcia Medeiros, Marilene, Ana Carolina, Sara Cristina, Navantino, Myriane, Maria Eugênia, Sandra da Silva, Luiz, Ângela, Elizete, Sonia Mariano, Iago, Maria Aparecida de Oliveira, Márcia Medeiros, Jean Francisco, Adriano, Márcia Rosana, Tiago Silva, Jean Silva, Wesley Matias, Kleusa Cris, Edimara, Maria Adriana Moreira, Juliana do Carmo, João Luiz, Diego, Maria Eugenia, Sandra da Silva, Maria Aparecida Magalhães, Tatiana.

PROGRAMAÇÃO
1. Abertura: Palavra de boas vindas da diretora
2. Leitura da biografia e recital dos poemas de Idalina
de Carvalho
3. Leitura da poesia "O que me faz feliz", pelas suas
autoras Maria Aparecida e Maria Eugênia.
4. Apresentação das alunas Sônia, Tainara, Larissa e
Ana Paula.
5. Entrega de um presente (o trabalho artesanal feito
em cordel) pela professora Sandra.
6. Com a palavra a escritora.
7. Encerramento com o aluno Juliano Marazo.

POEMAS APRESENTADOS (de Idalina de Carvalho)
Marina
Natureza
Jardim de Maria
Cantiga
Beleza de Carol

LEER MÁS...

MINICONTOS DE MEANDROS

| 0 comentários |

DO QUASE PECADO

(poesia de anjos)

segurasse suas mãos, levasse-a quase pluma por um poema na quase madrugada do setembro recém-nascido em sublime adultério de anjos... A sedução da alma! São demais os perigos desta vida... mas anjos não pecam, são puros. Até mesmo quando, distraídos, entornam desejo (a alma tem anseios). Distraída, seria natural deixar-se levar pelas mãos. Um abraço mais envolvente, as mãos... poesia por toda parte. (A poesia sai pela boca, está dentro da boca contida, a espera do milagre que a transforme). Se, liberta de receios, abrisse em beijo a boca do poeta, consumado seria o pecado e a boca cuspiria no papel a poesia. O desejo é o poema em estado de semente.

CONTO DE FADAS EM BRANCO E PRETO

Deus não tem tempo para meninas boazinhas. A cada uma cabe o mal que lhe é devido, como o bem. A vida real: nua e crua. Sonhara seres divinos pelo caminho. Pensara-me capaz de abolir do mundo o mal. Sete bestas desenharam meu conto de fadas, vestiram-se personagens a me acalentar o sono. Sorri.

Lá fora, tempestade escoava da alma aprisionada em leito. Cinzenta. Gelada. Natureza em prantos. Assim foi que tudo desabou. Deus não teve tempo para mim. Amadureci.

AO NATURAL

Recaiu sobre si a culpa da humanidade na tarde quente daquela viagem. Sol incendiando o verde das pastagens, morros e montanhas que passavam rapidamente pela janela, deixando pra trás uma brisa assanhada em carícias, provocando volúpia, impregnando todo o ônibus com o sêmen da natureza exalado em suor, descendo por todo o corpo como rio de água salgada, uma sede sem fim de tudo que pudesse refrescar o corpo e a alma.

Passiva, rendeu-se ao cansaço, despiu-se de conceitos, cerrou os olhos e...

FINAL FELIZ (?)

Naquela noite cobriu-a de mimos. Foram palavras, sonhos em pinturas vazadas até sons denunciarem novo dia. Braços a puxá-la noite adentro e sussurros te amo, te amo, juras de nunca usar extremos da cama, ladainhas de protetor, querer vê-la feliz, de não merecer tal vida de sacrifícios. E beijos tantos, tantos, até lábios amolecerem de tanto vadiar. Um sentir a vida de dentro, intenso, amor de verdade daqueles de filmes de cinema.

Depois casaram-se.


MÃE DE FAMÍLIA

Os gritos que não que agora não e o fogo esquentando a barriga encostada no fogão e a insistência dele e a comida no fogo, hora de almoço, levar as crianças para a escola e a cozinha desarrumada, pia cheia de vasilhas e não, não e não, agora não, e ele invadindo seu espaço, umedecendo sua nuca e ouvidos ofegante em sussurros, e ela perdendo as forças, pernas estremecidas e as mãos dele afrouxando sua saia e ela sem voz em sussurros não por favor, não, o almoço, panela fritando arroz, bife na outra trempa, feijão inteiro fervendo o fogo invadindo toda a cozinha, e a mesa ali, posta, e as crianças na casa da avó tomando banho, e a comida...

... o cheiro da comida queimada, abolida de condição de ser almoço.

LEER MÁS...

BEIJAR, FICAR E OUTROS VERBOS ADOLESCENTES (Idalina de Carvalho)

| 0 comentários |





"Beijar, ficar e outros verbos adolescentes" é o meu primeiro livro direcionado ao público adolescente. Na verdade é uma colcha de retalhos, e Aninha - personagem principal, bem como outros personagens da história, são recortes da vivência com alunos, pedaços da adolescente que eu fui e da menina que ainda vive em mim e, principalmente, fragmentos da vida cotidiana em família - meus filhos são minha fonte maior de inspiração.


Ainda não publicado na forma impressa, 0 livro fala da adolescência de Aninha, uma garota inteligente e muito bem relacionada. O fato de ser gordinha, no entanto, abala sua autoconfiança - o drama da história gira em torno de sua dificuldade em conseguir um namorado.
Confira a introdução do livro que você poderá ler na íntegra, gratuitamente, clicando no nome do livro - título desta postagem.

APRESENTAÇÃO

Se você está um pouco distante do peso ideal, se não tem jeans das melhores grifes, se vive tendo que se virar, vestindo o que tem para o gasto... toca aqui, amiga!

Se - pra completar - tem uma amiga esnobe, daquele tipo “táxi” (táxiacha), posso dizer que sei como se sente.

Os meninos vivem pedindo pra você dar uma força, pra eles chegarem nas suas melhores amigas? Você vive “chupando dedo” enquanto todo mundo tá ficando e beijando até? Você se sente a Madre Teresa de Calcutá, sempre fazendo caridade e se ferrando?...

Olha, vou dizer: somos idênticas!

Mas eu acredito na vida e venho me esforçando pra acreditar mais em mim. E olha que tem dado certo. Escrevi este livro pra contar – mesmo sabendo que se eu contar ninguém acredita – o que tem sido a minha vida desde que a adolescência chegou e resolvi me apaixonar. Até o final da história (se você tiver paciência pra me agüentar), teremos nos tornado amigas de infância.

Bjs. Aninnha.

CONFIRA O ORIGINAL DO LIVRO, DISPONIBILIZADO GRATUITAMENTE NO SITE INDICADO (basta clicar no nome do livro - título desta postagem).

Deixe seu comentário, que poderá ser aproveitado na publicação impressa.

*Nas fotos acima, à esquerda, Idalina de Carvalho; no centro, a capa provisória do livro, com conteúdo ainda sem diagramação final; e à direita, a autora com os filhos - a família, fonte inspiradora do livro.

LEER MÁS...

PENSAMINTO - Revista de Literatura e Arte (edição 14)

| 0 comentários |

Publicado no mês de maio de 2000, o número 14 da segunda fase de Pensaminto anunciava, na sua segunda página, a "I Feira do Livro de Cataguases", nos dias 18, 19 e 20 do mesmo mês. Com capa do artista plástico cataguasense Altamir Soares, a edição homenageou o poeta Cláudio Feldman e abriu espaço para a poesia do ABC paulista. Também foi nesta edição que o professor e poeta cataguasense Joaquim Branco inaugurou sua página "Poesia Visual", com três poemas: Terra à vista (dele próprio), Nós (de Hugo Pontes) e Bankers in Banquet (de Ricardo Alfaya). Para finalizar a edição, um artigo do saudoso professor e escritor José Maria de Souza Dantas (RJ), intitulado O Ensino de Literatura e/ou o enriquecimento do humano do homem, e um outro do poeta de Piracicaba, Irineu Volpato, intitulado Literatura no ABC - um esboço.


Confiram maiores detalhes.

ALTAMIR SOARES


















Natural de Cataguases, licenciado em Educação Artística pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, em 1986, Altamis mostra em suas telas uma mistura de cores secas em traços que marcam definitivamente seu estilo. Segundo suas palavras, ele procura refletir em sua obra o cotidiano, o abandono, a solidão, o desprezo e a busca de algo real e irreal.

Com traços marcantes e ao mesmo tempo suaves, Altamir não se prende a convenções, retratando em sua obra, tanto o moderno como o expressionismo, dependendo da escolha do momento que melhor retrata seu "eu".

UM POETA NO CAMINHO
Cláudio Feldman
























"Caminhei entre ciranda de mitos e caixões eldorado, em noite de esquivo silêncio. Do beco dos fantasmas ao cais do caos, o navio na garrafa fazia lembrar tempo de deserto. Plantei uma gaveta de sementes nos olhos da estrada e dali nasceram 27 poemas. Dr. Panambi redigiu um dossiê. Batizei-o urtiga. Depois de tanta aventura, mergulhei neste dia suspeito, de poesia enxuta, síntese, denunciando dobras da existência, o outro lado de tudo o que cerca o real, em imagens de pequeno bestiário, cidades e folhas" (Cláudio Feldman).

Cláudio Feldman reúne a irreverência do moderno com o bom gosto de quem sabe realmente da arte a que se propõe. Cláudio tem inúmeros livros publicados na área de ficção, humor e literatura infantil, por editoras como a Loyola, FTD, Editora Lê, Moderna, entre outras.

O poeta nasceu em Bauru (SP), em 1944. É filho do cineasta fotógrafo e videomaker Aron Feldman. Os poemas abaixo fazem parte do livro "Dia Suspeito".

SERPENTE
a serpente
enrosca-se
para dormir

já é o pesadelo
............................

PORCO-ESPINHO
da cratera morta
sai
um porco-espinho

cactomóvel
que afasta
perfume e garras

apalpado
apenas
no dicionário
...........................

MADRUGADA
a chuva não apaga anúncios luminosos
mas jornais escorrem palavras
as imagens de bêbadas bocas pintadas
e policiais algemando fantasmas
são levadas para o esgoto
sujeito oculto na capa
costeio edifícios de solidão e frio
o vento das galerias
murmura meu nome
ao contrário
..................................

VISUAIS
Joaquim Branco














Nesta edição de Pensaminto, Joaquim Branco publicou o VISUAIS nº 1, com poemas visuais de Hugo Pontes (Nós), Ricardo Alfaya (Bankers in banquet) e dele próprio (Terra à vista).







LEER MÁS...

PENSAMINTO - Revista de Literatura e Arte (edição 13)

| 2 comentários |


Publicada em abril de 2000, a 13ª edição de "Pensaminto", em sua segunda fase, trouxe na capa arte de Bonin e,no miolo, um apanhado sobre a poesia em Juiz de Fora, dando enfoque especial para a poesia de Iacyr Anderson Freitas e artigo de Jorge Sanglard sobre os movimentos literários naquela cidade, com poemas de Fernando Fiorese, Júlio Polidoro, Marta Gonçalves,Eustáquio Gorgone, Gilvan P. Ribeiro, Knorr e Edimilson de Almeira Pereira. Confira flashes da revista.

SÉRIE ARTISTAS PLÁSTICOS DE CATAGUASES

BONIN

Com estilo voltado para o expressionismo abstrato, Bonin apresenta em sua obra, como característica marcante, a expressão da essência histórica contemporânea. Assim, cada traço seu traz, ainda que nas nuances mais subjetivas, pedaço de um tempo, de um fato,imagem que tenha marcado ou que venha a marcar a história.
Nascido na cidade de Leopoldina em 24 de maio de 1963, Bonin reside em Cataguases desde 1978. Pinta desde 1983, tendo realizado várias exposições individuais e mais de 20 coletivas em Cataguases, Brasília, Belo Horizonte e Juiz de Fora, entre outras cidades.
Trabalha dentro das técnicas: óleo sobre tela, guache e nanquim.


UM POETA NO CAMINHO
IACYR ANDERSON FREITAS
A poesia de Iacyr é marcada por metáforas densas, por um sentido mergulhado na complexidade da vida e da morte. Não é a melodia ou mesmo a beleza de imagens que marca o estilo deste poeta, mas os labirintos que forçam o leitor a investigar, desvendar signos, descobrir o poema com sua riqueza semântica e sofisticação literária.
Iacyr nasceu em Patrocínio do Muriaé, em 1963. É engenheiro civil por formação, também mestre em Teoria da Literatura. Entre os seus inúmeros livros publicados, Pensaminto destaca dois poemas dos livros "Lázaro" (d'lira, 1995) e "mirante" (d'lira, 1999).

SENTIDO
decerto um ritmo,
algo impeciso
em suas conchas,
saberá lembrar
o que se escreve agora,
à cilha
que o calor segreda,
mas em rusga,
sem outros liames
que o delito dessas flores,
ó pobres, ó desguarnecidas,
como o sol
de um telheiro carcomido
sob a pele.

um ritmo: decerto
muito pouco
ante o vestígio
do que aqui se espera.

eis que a hora fecha-se
nos mangues.
o sentido dorme,
a paixão procura
a morte, outra quimera.

POSFÁCIO
Abre-se um novo embate. Abre-se a musa.
Eis que o metro força o antigo engenho.
Devo encaixar o mundo numa blusa
e, pródigo, doar que eu não tenho.
Devo encontrar outrora esse soneto.
Também medir com régua cada estrofe.
Não é fácil o risco em que me meto:
há que cuidar com fé, pra que não mofe
cada palavra. Cada ponto e acento,
cada elisão contida na fuzarca
do verbo e dor e lu em que me aguento.
Não busques aqui Camões ou Petrarca.
Não eleves tamanho experimento,
pois nem essa ilusão meu verso embarca.

POETAS DE JUIZ DE FORA

A MORTE
(Júlio Polidoro)
A morte e seu cortejo

Galopa sobre mim
eu passo.

Num jardim qualquer,
o Homem
quer-se afastado deste cálice.

Que posso dizer
Que não me movo de seu movimento?

Ao seu galope
respondo, chão cicatrizado.
..........
DANAÇÃO
Fernando Fiorese

Bom mesmo
era morar num lugar
de nome bonito
- Nossa Senhora dos Remédios,
São Tomé das Letras,
Dores do Turvo -
cultivar violetas e samambaias
e fazer do itinerário dos peixes
minha música
e não
ficar polindo os ossos do mito.
..........
SEZÃO
Gilvan P. Ribeiro

No sol de capricórnio
a carne nunca é triste.
Em cada encontro
o risco sempre existe
de momentos assim
pejados de tristura.
Mas passada a pancada
a emoção futura
carrega a dor embora
e do que é triste
faz outra vez motivo
pra estar em riste.
..........
ORELHA FURADA
Edimilson de Almeida Pereira

Dançar o nome com o braço na palavra: como
em sua casa um maconde

Dançar o nome pai dos deuses que pode tudo
neste mundo e suportar o lagarto querendo ser
bispo na sombra.

Dançar o nome na miséria, estrepe e tripa que a
folha do livro é. E se entender dono das letras
em sua cozinha.

Dançar o nome com a mulher nhora dele: a
mulher no seu coração tempestade e ciranda.

Dançar o nome com o braço na palavra berço.
..........
DOAÇÃO
Marta Gonçalves

Cortaram meus ossos ao iniciar o sol
e galos vermelhos sugaram o pó.

Fiquei oca como moringa de barro.

Não havia água.
Só o choro seco do tempo perdido.
..........
POEMAS/20
Eustáquio Gorgone

Nas quatro portas da cidade
teu olhar me cerca e fixa
na íris, minha íris, tua ira.
Sinto os arcos emparelhados,
primavera e inverno retidos,
o céu estrangeiro e branco.
Não posso antecipar as horas,
reter os vestígios do outono,
o canto das pedras e pássaros.

Irrigado por rios secos,
volto ao plantio do pó.


"Pensaminto",revista de Literatura e Arte, foi editada, de 1995 a 2000 por Idalina de Carvalho, em Cataguases (MG), e distribuída no Brasil e exterior.

LEER MÁS...

PENSAMINTO 12 - segunda fase

| 1 comentários |



Publicado em março de 2000, a edição número 12 trouxe na capa a artista plástica Nanzita, em desenho feito exclusivamente para PENSAMINTO. Nanzita, nascida em Cataguases, começou a pintar em 1940, estudando com os mestres Ian Zack, Abelardo Zaluar e Frank Schaeffer. Idealizadora e criadora da "Gal Art" (Centro de Arte e Cultura de Cataguases), Nanzita expôs individualmente e em coletivas por todo o país e em várias cidades do Japão.

O que marca, sobretudo, o seu nome na história de Cataguases são os murais pintados por ela nas igrejas da cidade. Baseada no livro "Paixão de Cristosegundo o Cirurgião", de Pierre Barbet, Nanzita retratou a agonia de Cristo sob uma ótica vanguardista, marcadamente pelas cores que levam o público a meditar sobre a própria vida: Nas paredes do Santuário Santa Rita de Cássia, a artista deixou registrado seu estilo em "Via Sacra". Pintou ainda, sob o tema "São Francisco de Assis", mural na Capela da Fazenda do Rochedo, no distrito do Glória de Cataguases. E, na Igreja do Rosario, o mural pintado por Nanzita próximo à pia batismal, retrata os apóstolos numa interpretação bíblica original sobre a "Ressurreição de Cristo o batismo".


UM POETA NO CAMINHO
JOANYR DE OLIVEIRA

DOno de uma poesia de formação clássica, densa, sutil, de linguagem limpa é precisa. Joanyr é um poeta que domina perfeitamente a essência lírica, retratando, a um mesmo tempo, simplicidade, bom gosto extremo e beleza. Quem lê seus poemas, mergulha no mais profundo da alma humana. E sai leve, banhado pela beleza de "cascos que cavam-me os olhos", "casulos de silêncio que recolhem meu rosto", envolvido pelo "ninho: mão sem fadigas a colher a vida". Como disse Marcos Konder Reis: "Sua poesia dá a sensação (rara) e coisa acabada, onde se disse (bem) tudo">

Mineiro de Aimorés, Joanyr passou a residir em Brasília em 1960. Autor de mais de uma dúzia de livro de poesia e participante de coletâneas publicadas no Brasil e exterior, ganhou mais de trinta prêmios literários. Abaixo, dois poemas do seu livro "Pluricanto - trinta anos de poesia".

NO METRÔ DE PARIS
(A Íris Miglio)

A anular o silêncio,
no metrô em Paris,
dez dedos de ouro
destilaram canções.
Sobre as rodas monótonas,
idiomas revezaram-se
na celebração do amor.

Subitamente as cordas
acolitaram estrofe
ledas verde-amarelas
nos lábios suspensos:
eram Tom e Vinícius
como taças no ar...

Um sorriso se impôs
a abarcar todo o Rio
no outro lado do mar.
........................

EPITÁFIO

Os casulos do silêncio
recolhem meu rosto,
meu canto e meu nome.

Entre arcanjos e estrelas,
minha essência navega
o esplendor dos milênios.

Doce é o saber do infinito.

LEER MÁS...

Pages

Pesquisar este blog

Carregando...